Risco de AVC aumenta em quase oito vezes após uma gripe

Oimpacto da gripe é real. Em todo o globo, as epidemias anuais de gripe provocam entre três a cinco milhões de casos de doença grave e 250 a 650 mil mortes por ano. E ninguém está livre de risco. Mesmo em pessoas saudáveis, a probabilidade de ocorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) aumenta em quase oito vezes durante os três dias seguintes à infeção por gripe

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Ilustração de um ataque de AVC

Atualmente, o AVC é a principal causa de morte e incapacidade permanente em Portugal. Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, a especialista aponta que três portugueses sofrem um AVC a cada hora.

Por isso, à imunização contra a gripe como uma estratégia preventiva. "Permite prevenir as consequências e complicações que podem advir da gripe, quer seja a nível respiratório, cardiovascular ou neurológico", diz um Doctor Português

Resumidamente, do que se trata o AVC?

O AVC é uma doença que afeta o cérebro e, em Portugal, é a principal causa de morte e uma das principais causas de incapacidade no adulto. Por hora, três portugueses sofrem um AVC. As artérias são os canais que levam o sangue ao cérebro, com nutrientes e oxigénio. Se houver doença das pequenas ou das grandes artérias cerebrais, pode acontecer que uma tape (AVC isquémico) ou rebente (AVC hemorrágico), impedindo uma zona do cérebro de funcionar. Conforme a zona cerebral afetada, a pessoa poderá deixar de falar, ou de mexer um lado do corpo, por exemplo. Também algumas doenças do coração podem levar a que se formem trombos que, pela circulação, tapam uma artéria cerebral, provocando os mesmos efeitos.


Quais são os fatores de risco para o AVC?

O primeiro é a idade. Apesar de poder haver AVC em qualquer idade, o risco aumenta ao longo do tempo. Os fatores que mais vezes aumentam o risco de alguém vir a ter um AVC e que são preveníeis ou tratáveis, são a hipertensão arterial, fumar, ter colesterol alto, diabetes, algumas doenças cardíacas, placas ateroscleróticas nas artérias, levar uma vida sedentária e com alimentação desadequada, nomeadamente levando à obesidade.


E os mais desconhecidos?

São as doenças inflamatórias crónicas, as infeções, alguns cancros, a apneia do sono e alguns traumatismos na região do pescoço.


Que sintomas podem indiciar um AVC?

Em quase todos os AVC aparece, pelo menos, um dos três sinais de alerta conhecidos como os 3F: perturbação da fala (fala), desvio da face (face) e falta de força num braço (força).


Que outros sinais de alerta tendem a passar despercebidos, a ser confundidos ou até ignorados?

O AVC manifesta-se, por vezes, com sinais menos evidentes para terceiros, como perturbação visual ou sensitiva. Ou mesmo uma dor de cabeça muito intensa, que surge de um momento para o outro, sem causa evidente. Outras vezes, os sintomas são mal interpretados. Uma pessoa pode ficar subitamente com dificuldade em perceber as palavras, como se tivesse 'aterrado' num país de língua desconhecida (lesão na área da descodificação da linguagem), e por isso, responder de forma desencontrada ao que lhe perguntam, podendo parecer que está desorientado ou com demência. No entanto, a demência não surge de repente sem mais nem menos. Pode ser um AVC!


Perante uma situação de AVC, que procedimentos devem ser adotados?

O AVC é uma emergência médica e tem tratamento. É fundamental que os 3F sejam reconhecidos e que se ligue de imediato para o 112. Se suspeitar que alguém à sua volta está a ter um AVC, peça para repetir uma frase, para sorrir com força e para levantar os braços, facilitando a identificação dos sinais de um possível AVC. Quanto mais cedo for tratado, nas primeiras horas, menor a probabilidade de ficar com deficiência pelo AVC no futuro. A chegada atempada à unidade hospitalar permitirá a realização de tratamentos que apenas são eficazes nas primeiras horas após o início do AVC, diminuindo em cerca de 30 a 50% a probabilidade de morte ou de incapacidade grave.

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